omo está a aceitação e a divulgação de seu primeiro disco-solo, "Balada Sertaneja".
Michel Teló – Está sendo muito bacana, muito bom, porque a vida inteira eu cantei em bandas...fiquei 12 anos no Tradição e agora 8 meses de carreira solo realmente está sendo um momento muito legal, pois existia mesmo essa preocupação, essa ansiedade...será que a galera vai curtir? Será que o pessoal vai continuar acompanhando as minhas músicas curtindo meu som? Mas graças a Deus a galera gostou e eu tive também a alegria de gravar algumas músicas que caíram no gosto das pessoas. Começando com a “Ei Psiu, Beijo me Liga”, que teve a participação de João Bosco & Vinicius e virou um hit em todo o Brasil, então a gente começou com o pé direito.
Kboing – E como surgiu essa idéia de gravar essa primeira música de trabalho com dupla João Bosco & Vinícius?
Michel Teló – O João Bosco e o Vinícius eu conheço desde guri, desde moleque né...A primeira gravação que eles fizeram foi no meu estúdio lá em Campo Grande , quando era em casa ainda, no meu quarto, era um home stúdio. Gravei outros discos deles também no meu estúdio e na época do Tradição tivemos outras parcerias também. Quando mostrei a música para eles, ficaram doidos com a música, gostaram muito, aceitaram na hora cantar e virou sucesso.
Kboing – Quais as vantagens e desvantagens da carreira solo?
Michel Teló – São momentos diferentes né...durante o tempo em que eu fiquei no Tradição foi muito bacana, era um grupo muito legal, uma família realmente, uma turma que dava o sangue, que cantava com alegria sabe...E tudo depende do momento e de como você está se sentindo. Agora eu estou curtindo muito estar nesse momento solo. Fiquei 12 anos no Tradição e nesse momento, realmente comecei com aquela ansiedade, estou aprendendo muito porque agora tenho que assumir todo o palco, toda a responsabilidade sozinho, mas está sendo muito gostoso.
Kboing – Você é um multi-instrumentista. Em suas performances, quais instrumentos você toca?
Michel Teló – Ah, a gente faz barulho...meu instrumento mesmo é a gaita de botão e a sanfona, mas no show também toco violão, estou pensando em tocar bateria também, porque eu gosto muito de ‘batera’. A minha preferência é a sanfona, mas a gente inventa de vez enquando algumas bagunças só para diversificar.
Kboing – Qual sua canção preferida?
Michel Teló – Eu tenho um carinho muito especial pela “Ei Psiu, Beijo me Liga”, que com certeza é um marco na minha vida. Mas tem também “Amanhã Sei Lá”, gosto muito da “Orelhão”...tem uma música nova que estou lançando agora que chama “Fugidinha”, é uma mistura de sertanejo com um pouco de pagode que ficou muito gostosa e com certeza vai ser sucesso em todo Brasil.
Kboing – Como você avalia sua trajetória musical?
Michel Teló – Ah eu sempre tive alegria de cantar, sempre tive alegria de botar as pessoas para se divertir e a música está no meu sangue, na minha veia, sempre tive muita facilidade de decorar vozes, de fazer primeira, segunda, terceira, quarta voz. Então a música sempre esteve muito presente na minha vida...no colégio ao invés de estar prestando atenção na professora eu estava cantando música. Desde os 12 anos que tocando, comecei minha carreira tocando em baile e Deus foi abençoando cada etapa da minha vida. As coisas foram acontecendo devagarzinho e Deus sempre abençoou, a música está na minha veia, não tem jeito.
Kboing – Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Michel Teló – São vários. Cada etapa você vai derrubando um novo desafio...quando você está no início, você quer ser reconhecido no bairro, depois na cidade, e não está bom, quer que o estado te reconheça...é a busca pelo reconhecimento do seu trabalho, mostrar que você faz aquilo com amor e levar para quanto mais gente melhor sempre
Kboing – Quais são seus próximos projetos?
Michel Teló – Meu primeiro DVD solo foi gravado no dia 6 de junho em Lajes Santa Catarina. O projeto contará com 11 canções inéditas, algumas músicas desse meu CD “Balada Sertaneja” e alguma coisa da época do Tradição. A previsão de lançamento é para agosto, via Som Livre. Será um negócio bem bacana!
Kboing –Deixe uma mensagem para seus fãs que acessam o Kboing.
Michel Teló – Alô galera aqui é o Michel Telo, a vocês que acessam meu site, o Kboing e o Terra, obrigada pelo carinho! Obrigado a todos que me acompanham via Internet: pelo Twitter, pelo meu site www.micheltelo.com.br. “Ei Psiu, Beijo me Liga”, vamos dar uma “Fugidinha”, vamos para o meu site também e curtir minhas músicas

Não cheguei a comentar nada a respeito da morte do João Mineiro ainda. Eu tinha programado de escrever este texto no fim da semana da morte dele, mas aí aconteceu o que aconteceu comigo e eu acabei adiando. Pois cá estamos.
No dia 24/03, a música sertaneja perdeu um dos grandes expoentes da modernização do gênero. João Mineiro, da dupla João Mineiro & Marciano, ajudou a tornar o estilo mais comercial e urbano. A dupla chegou a disputar com Chitãozinho & Xororó o posto de maior dupla sertaneja do país durante a década de 80. Donos de alguns dos maiores hits sertanejos de todos os tempos, como “Ainda Ontem Chorei de Saudade”, “Seu amor ainda é tudo”, “Esta noite como lembrança”, “A Bailarina”, “Minha Serenata”, “Se eu não puder te esquecer”, “Viola está chorando”, “Crises de Amor”, “Chuvas de Maio”, etc.
A morte do João Mineiro, entretanto, acabou sendo talvez o capítulo final daquela que é provavelmente a mais intrigante história da música sertaneja. Por que, afinal de contas, João Mineiro & Marciano se separaram e porque nunca quiseram voltar com a dupla, mesmo com várias propostas, algumas milionárias, de empresários artísticos? Era inegável que um retorno de uma das maiores duplas sertanejas de todos os tempos renderia muito dinheiro.
O próprio Marciano, inclusive, nunca conseguiu chegar a 1/5 do sucesso que tinha quando mantinha a dupla com o João Mineiro. Apesar disso, sempre foi o que mais evitou alimentar qualquer expectativa do público quanto a esse retorno. Houve uma época em que o próprio João Mineiro chegou a manifestar interesse, inclusive convidando o Marciano a retomar a dupla, mas ele não quis.
Agora, com a morte do João Mineiro, a não ser que o Marciano resolva revelar tudo, o que dizem ser praticamente impossível, o real motivo que levou ao fim da dupla pelo jeito vai ficar para sempre no rol dos segredos jamais revelados. O que será que aconteceu, de fato? Que segredo tão obscuro é esse que fez com que nenhum dos dois jamais se manifestasse a respeito?

A fase moderna da música sertaneja inicia-se no final dos anos 60 com a introdução da guitarra elétrica e o chamado “ritmo jovem”, por Leo Canhoto e Robertinho. O modelo é a Jovem Guarda, sendo que um de seus integrantes, Sérgio Reis, começa a gravar o repertório tradicional sertanejo, contribuindo para a penetração mais ampla do gênero. Nesta modalidade de música sertaneja os cantores alternam solos e duetos para apresentar canções, muitas vezes em ritmo de balada, que tratam principalmente de amor romântico, de clara inspiração urbana. Algumas canções classificadas como sertanejas nas paradas de sucesso são às vezes interpretadas totalmente por solistas dispensando o recurso tradicional da dupla. Os arranjos instrumentais dessas músicas adicionam instrumentos de orquestra além da base de rock, já incorporada ao gênero. Artistas representativos desta última tendência são Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, Christian e Half, Trio Parada Dura, Chico Rei e Paraná, João Mineiro e Marciano, Nalva Aguiar e Roberta Miranda.

No final dos anos 60 o duo Leo Canhoto e Robertinho introduziram a guitarra elétrica na música sertaneja, começando uma tendência seguida por vários músicos. «Soldado sem farda» de Leo Canhoto, é um exemplo típico: instrumentação básica de rock (guitarra elétrica, baixo elétrico, e bateria) e a batida chamada de «ritmo jovem». A canção, escrita durante a ditadura militar, argumenta que o trabalhador rural é tão defensor da pátria quanto o «soldado fardado».

Ex: «Soldado sem farda» de Leo Canhoto. ln Leo Canhoto e Robertinho, 1981.

Cantando estes versos eu quero falar
Do soldado sem farda que é nosso irmão
Soldado sem farda é você lavrador

Que derrama o suor com suas próprias mãos
Soldado sem farda aqui vai o abraço
Das forças armadas da nossa nação
Aceite também o abraço dos artistas
Do rádio, do disco e da televisão

Um marco na música sertaneja romântica é a canção «Fio de Cabelo» de Marciano e Darcy Rossi, interpretada pela dupla Chitãozinho e Xororó. A canção menciona um fio de cabelo encontrado num paletó, um remanescente de uma relação amorosa. É escrita em ritmo de guarânia, que como disse acima, foi incorporado ao gênero.

O estilo musical de «Fio de cabelo» se encontra bastante distante da tradicional música caipira. Enquanto as modas e toadas caipiras têm um contorno melódico mais próximo da linguagem falada, a melodia ondulada da música sertaneja romântica cobre uma extensão grande de notas. Enquanto os cantadores caipiras narram suas canções épicas e bucólicas, acompanhados por viola e violão acústicos, os cantores de música sertaneja romântica, interpretam suas canções de amor acompanhados por uma orquestra de dança (cordas, sopros, bateria, guitarra elétrica e ou teclado eletrônico, e baixo elétrico).

Ex: “Fio de Cabelo” de Marciano & Darci Rossi. In Chitãozinho e Xororó, 1982.

Quando a gente ama, qualquer coisa serve, para relembrar
Um vestido velho da mulher amada, tem muito valor
Aquele restinho, do perfume dela que ficou no frasco
Sobre a penteadeira mostrando que o quarto
Já foi o cenário de um grande amor

E hoje o que eu encontrei me deixou mais triste
Um pedacinho dela que existe
Um fio de cabelo no meu paletó
Lembrei de tudo entre nós, do amor vivido
Aquele fio de cabelo comprido
Já esteve grudado no nosso suor

Nos anos 80, a balada internacional encontra uma afinidade muito grande no meio artístico da música sertaneja. A balada é uma canção sentimentalerótica, disseminada pela indústria cultural, cujo interprete internacional mais famoso no Brasil é Júlio Iglesias. A balada é escrita geralmente num compasso quaternário composto (12I8), tem uma melodia ondulada bastante ampla, e usa freqüentemente um acompanhamento harpejado feito por piano e cordas. A canção «Seu amor ainda é tudo», de Moacir Franco, na interpretação da dupla João Mineiro e Marciano exemplifica bem esta tendência.

O cantor José Rico ganhou uma homenagem do parceiro com quem fez dupla por quase quatro décadas , Milionário, durante o enterro do corpo do sertanejo nesta quarta-feira, 4, em Americana, no interior de São Paulo. Ele cantou "Estrada da vida", um dos maiores sucessos da carreira dos dois, enquanto fãs davam o último adeus ao cantor que, aos 68 anos, sofreu um infarto na terça-feira, 3. O cemitério estava lotado e, em alguns momentos, houve confusão, com fãs caindo em caixões.